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ID: 18

Lamentações de Jeremias 3.17-26

Prédica

26/06/2015

Lamentações de Jeremias 3.17-26 (5º após Pentecostes)

Irmãos e irmãs em Jesus Cristo

Um jovem casal havia perdido um filho recentemente após meses e meses de luta contra uma grave doença. O casal estava desolado. Uma pessoa amiga foi visitá-lo. Tentando consolar o casal, a pessoa disse: “Vocês ainda são jovens. Logo, logo, vocês poderão ter um filho novamente”. Muito chocado, o casal respondeu: “Nada substitui a dor que sentimos por causa da perda de nosso filho. Nós vamos levar muito tempo para absorver nossa dor. Dói mais ainda quando pessoas tentam nos consolar com palavras precipitadas e impensadas”.

Com isto nós nos aproximamos do texto bíblico indicado para este 5º Domingo após Pentecostes. O autor destas palavras foi uma pessoa que abriu seu coração diante de Deus, em oração, 600 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, quando parte do povo de Israel foi deportado como prisioneiro para o Exílio da Babilônia. Foi uma dor muito profunda ter que dar adeus à Terra Prometida, ver da destruição do Templo de Jerusalém e não saber se teria a chance de retornar à pátria. O início do capítulo 3 é pura lamentação – é reconhecimento da responsabilidade por tudo o que aconteceu. Já os versículos de nosso texto apontam para a bondade e a misericórdia de Deus. São palavras repletas de fé e de esperança por um futuro sob a bênção de Deus.

Pessoalmente, aprecio muito esta passagem bíblica e a tenho usado inúmeras vezes para oferecer uma palavra de ânimo e de esperança para pessoas com depressão, enfermas, enlutadas, desesperadas por causa de desemprego ou por causa de conflitos pessoais ou familiares. Os v. 22-23 afirmam: “O amor de Deus não se acaba, e a sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do Senhor”. São palavras que nos remetem ao que Jesus afirma em João 16.33: “No mundo vocês passam por aflições. Mas não tenham medo, eu venci o mundo”.
Em momento algum o sofrimento e a dor das pessoas são negados ou minimizados. Não se trata de um consolo barato. Para dentro da grande dor que as pessoas sentem é trazida uma palavra de confiança e de esperança, apontando para o profundo amor de Deus.

Na qualidade de Povo de Deus, eleito para viver em comunhão com Jesus Cristo, nós somos enviados para levar uma palavra de consolo, de fé e de esperança para as pessoas que sofrem ao nosso redor. Porém, nós precisamos tomar cuidado para não oferecer um consolo precipitado e barato – como aquele da pessoa que falou ao casal que perdera o filho – Precisamos aprender a respeitar a dor das pessoas para que o consolo seja eficiente e ajude de fato as pessoas. Podemos aprender muito com os três amigos de Jó (Jó 2.11-13) que, em vista do profundo sofrimento dele, ficaram sentados em silêncio durante sete dias, sofrendo junto, antes de falar qualquer palavra de consolo. Eles respeitaram a dor e não impediram que Jó desabafasse, externasse o que passava em seu coração.

Todos nós temos a dificuldade de não poder ver alguém sofrendo sem que logo tentemos minimizar sua dor e interromper o seu desabafo. Às vezes, com consolo impensado e precipitado. Costumamos fazer isso em velório, quando os enlutados expressam seu desespero ou revolta. No entanto, verdadeiro consolo é aquele que permite que a pessoa derrame tudo o que está doendo em seu coração ou está atravessado em sua garganta. Verdadeiro consolo só consegue oferecer aquela pessoa que se “assenta” ao lado de quem sofre e permite que manifeste sua dor. Pensemos nisto, quando visitarmos ou socorrermos pessoas desesperadas: pessoas enfermas, talvez desenganadas pela medicina; pessoas enlutadas que não sabem como será o amanhã sem a pessoa amada; uma mulher abandonada pelo marido que a trocou por uma pessoa mais jovem; alguém que perdeu o emprego e não sabe como sustentará a família... É preciso aprender a ouvir o que passa no coração das pessoas e saber dizer que Deus permite seu desabafo e sua lamentação.

O próprio Jesus pôde desabafar e dar vazão ao seu desespero, conforme Lucas 22.39-46, quando orou no Monte das Oliveiras, antes de ser preso e crucificado.

Mas não fiquemos apenas nas lamentações e no desabafo, que são muito importantes para colocar para fora o que está doendo no coração, mas que ainda não resolvem o sofrimento. O lamento de Jeremias, no texto bíblico, culmina com a oração nos v. 19-20: “Lembra-te da minha aflição e do meu pranto. A minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim”. Então a oração vai se transformando e ele diz nos v. 21ss.: “Quero trazer à memória aquilo que me pode dar esperança. O amor do Senhor não se acaba e a sua bondade não tem fim; renovam-se cada manhã. Grande é a sua fidelidade. Deus é tudo o que tenho; por isso confio nele!”

O que significa isso?

Quando estivermos com pessoas desesperadas, sem rumo e sem esperança, precisamos estar atentos e perceber que, num determinado momento, elas procuram e acenam por um apoio no qual possam se agarrar. Nós cristãos não podemos ficar calados nesse momento, mas devemos apontar para o amor e para a bondade de Deus. É nossa missão expressar que Deus é Deus conosco tanto na alegria como na dor, tanto no viver como no morrer; de que nada poderá nos separar do amor de Deus que é nosso por meio de Jesus Cristo – Romanos 8.39. Podemos aprender isso com Jesus Cristo: Quando ele chorou e lamentou no Getsêmani, Deus não lhe voltou as costas; quando Jesus gritou na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, Deus não o abandonou. Então aconteceu a manhã da Páscoa: A morte foi derrotada e a vida triunfou. O lamento cessou e uma nova canção foi entoada.

À luz destes testemunhos bíblicos, nós não iremos ignorar o sofrimento das pessoas, nem atropelá-las com consolos precipitados e impensados. Iremos chorar juntos e, cuidadosamente, encontrar juntos palavras de consolo. Para tanto, nos servem de exemplo as palavras de Jeremias. Também podemos nos lembrar da história dos discípulos a caminho de Emaús (Lucas 24), que voltavam desiludidos e desanimados depois da crucificação de Jesus. O Senhor ressuscitado se colocou ao lado deles, caminhou com eles o tanto que foi preciso, respeitando sua dor e acolhendo o seu desabafo antes de lhes oferecer o consolo da palavra de Deus e de lhes abrir o coração para o futuro.

Queridos irmãos e queridas irmãs, o cap. 3 de Lamentações de Jeremias é uma escola para nós de como podemos praticar a solidariedade cristã às pessoas que sofrem. Quem fala, no texto, tem a oportunidade de expressar sua dor, de desabafar aquilo que sente. Ele tem necessidade disso. Depois aprendemos que, passo seguinte, podemos apontar para o que verdadeiramente pode dar segurança: Deus é o nosso amparo! Nele podemos confiar, tanto na vida como na morte.

Que a paz de Deus, que é maior do que nosso entendimento, guarde nossos corações e mentes, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

P. Geraldo Graf
26.06.2015
g.graf@uol.com.br


Autor(a): Pastor Sinodal Geraldo Graf
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 33846

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