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ID: 2676

Deus entre os malfeitores

A vice-presidente da FLM para a Europa Ocidental e Centro-Oeste, Pastora Astrid Kleist, reflete sobre o significado da crucificação para os que sofrem em nosso mundo cheio de conflitos

14/04/2022

 

(LWI) - Na mensagem deste ano para a Sexta-feira Santa, a vice-presidente da FLM para a região da Europa Ocidental e Centro-Oeste, Pastora Astrid Kleist, reflete sobre o relato da Crucificação segundo o Evangelho de Lucas, quando Jesus é pregado na cruz para morrer entre dois criminosos.

A Pastora lembra as diferentes reações daqueles dois homens condenados à morte por “uma das mais cruéis formas de execução do Império Romano”. Um está “cheio de zombaria”, enquanto o outro está “cheio de admiração” e Jesus lhe prometeu um lugar no Paraíso. “Pecadores e justos sofrem a cruz”, diz a Pastora Kleist, mas a morte de Jesus revela a graça de um Deus “que é maior que o nosso coração humano”.

A Pastora Kleist, membro da Igreja Evangélica Luterana no Norte da Alemanha, e reflete sobre o significado da morte de Jesus para os que foram mortos, feridos, desenraizados e enlutados pelos ataques da Rússia às cidades ucranianas. A Sexta-feira Santa, diz ela, traz “a matança injusta e o morrer injusto” diante de Deus. Histórias de paixão estão por toda parte, ela observa, “e no meio delas está o Deus da misericórdia”.

O criminoso arrependido, ao ouvir as palavras de Jesus, recebeu o perdão ao reconhecer sua própria culpa, diz Kleist. Na manhã de Páscoa, ela conclui, nós também “ficaremos surpresos com a forma como Deus chama das trevas da sombra da morte para uma nova vida”.

A Mensagem da Pastora Astrid Kleist na íntegra:

Quando chegaram ao lugar chamado A Caveira, ali crucificaram Jesus, e junto com ele os dois criminosos, um à sua direita e outro à sua esquerda” (Lucas 23:33).

Nestas poucas e sóbrias palavras o evangelista Lucas descreve uma das formas mais cruéis de execução no Império Romano, usada como dissuasão contra criminosos e rebeldes. Uma morte agonizante em público, para todos verem, um sinal de poder em um mundo não pacífico.

Não havia volta para as pessoas condenadas à cruz. Eles permaneciam presos nela até o amargo fim – condenados e fixados pelo que haviam dito e feito. E Jesus? Sem dúvida, foi um crime executá-lo sem culpa. Ele tinha vivido com uma profunda confiança e fé em Deus.

Jesus na cruz sem culpa, com dois criminosos ao seu lado. Um cheio de provocações: “Salve-se e salve-nos”. O outro, cheio de admiração: “Este não cometeu nenhum crime. E a Jesus ele disse: Lembra-te de mim quando vieres em teu reino.” (Lucas 23:41-42).

A lógica do acerto de contas, do olho por olho, com uma imagem de Deus extraída da justiça humana baseada em fatos, não faz sentido quando o justo sofre o castigo ao lado de criminosos.

Quem está ao lado de Jesus percebe que “o que agora sofremos é justo, porque estamos recebendo o que pelos nossos atos merecíamos, mas ele não cometeu nenhum crime”. . „Certamente eu lhe digo“, diz Jesus ao criminoso ao lado dele, „hoje mesmo você estará comigo no paraíso“. Tanto os pecadores quanto os justos sofrem a cruz. No entanto, a morte de Jesus entre os dois criminosos manifesta a graça de Deus, tornando visível um Deus que é maior que o nosso coração humano.

Leio nas notícias:

Sergei beija o rosto ensanguentado de seu irmão morto e chora. Um míssil russo atingiu a caserna de Igor perto de Mikolayiv. Ele e dezenas de seus companheiros foram mortos. Igor se ofereceu para proteger seu país. Isso foi há menos de um mês. Sua noiva, Galina, está com os pais russos na Moldávia. Apenas Sergei está lá para enterrar seu irmão. Com uma pá, no quartel, na beira do campo de esportes. O trovão das armas é ouvido. É fogo amigo ou do inimigo? Os tiros trazem a mesma destruição, trazem a morte. O bairro vizinho de Kulbakino, onde vive Sergei, está quase deserto. Onde há apenas um mês as pessoas viviam juntas, falando russo e ucraniano umas com as outras, agora não há água nos canos nem aquecimento. Aqueles que puderam, fugiram para lugares seguros.

A Sexta-feira Santa coloca a injustiça diante de Deus, o assassinato injusto e a morte injusta. O sofrimento de Jesus e o sofrimento de todas as pessoas se unem. Histórias de paixão em todos os lugares - e no meio delas, o Deus da misericórdia.

Jesus não grita: “Faça-me justiça!”. Em vez disso, ele diz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

São essas palavras que abrem os olhos de um dos criminosos crucificados ao lado dele. No espelho do perdão, ele ousa olhar para seu próprio abismo e reconhece sua própria culpa.

As pessoas que não acompanharam Jesus em vida também se aproximavam de seu sofrimento e „continuavam assistindo“. Talvez eles o conhecessem de maneira diferente daqueles que o conheciam melhor. De acordo com Lucas, „todo mundo que o conhecia... ficava assistindo à distância“.

Na manhã de Páscoa, também nós olharemos para nossos próprios abismos e para as rachaduras de nosso tempo. E novamente nos surpreenderemos, de uma maneira diferente, como Deus chama das trevas das sombras da morte para uma nova vida.


Pastora Astrid Kleist, da Igreja Evangélica Luterana do Norte da Alemanha, é vice-presidente da FLM para a Europa Ocidental e Centro-Oeste.
 


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