Jornal Evangélico Luterano

Ano 2019 | número 825

Quarta-feira, 12 de Junho de 2024

Porto Alegre / RS - 12:01

Perspectiva - Profa. DRA. Ema Marta Cintra

Sou uma bruxa! Só que não!

Sou Professora há 36 anos. Nesses meus anos de Docência, enfrentei de tudo um pouco: algumas situações ruins, mas a maioria agradável. Entretanto, uma das coisas que mais me dava prazer (ops ... não posso falar essa palavra!) era poder levar textos para a sala de aula para que os meus alunos e as minhas alunas se apropriassem deles de modo mais reflexivo. Poesias, crônicas, romances, charges, enfim, gêneros diversos. Como Professora de Língua Portuguesa, preciso colocar os e as estudantes diante de textos que circulam e que materializam as situações vividas.

No entanto, ultimamente tenho me sentido como no tempo da Inquisição. Estou com a sensação que, se levar certos textos para a sala de aula, serei queimada ‘no fogo eterno’. Como trabalhar o Realismo, o Naturalismo? Penso que terei que levar textos apenas sobre Romantismo...

Tenho escutado tantas coisas relacionadas à profissão, a maioria delas infundadas, que não poderia deixar de expressar o meu descontentamento. Professores e Professoras viraram um ‘problema para a sociedade’. Se, antigamente, eram valorizados e valorizadas, atualmente estão sendo responsabilizados e responsabilizadas, na verdade, vigiados e vigiadas, em uma enorme falta de respeito. São inacreditáveis e inimagináveis os absurdos que estão sendo colocados na conta de Professores e Professoras, em uma total inversão de qual classe é, de fato, responsável pelos problemas na nossa sociedade ou, no mínimo, pelo agravamento deles.

Nem preciso repetir essas falácias, pois elas estão na boca de muitas pessoas. Da negação de um dos maiores Educadores do país, como Paulo Freire (falam sem ter lido sequer uma obra dele), de um discurso ridículo sobre ideologia (como se fosse algo negativo e tivesse ‘lado’), de dizer que Professores e Professoras ‘estão ensinando’ crianças e jovens para um caminho errado e o absurdo dos famosos ‘kits’, que nunca vi em lugar algum. Ora, para quem serve esse discurso?

O que ocorre em uma escola é o espelho da sociedade. Afinal, Professores e Professoras não inventam os alunos e as alunas. São os nossos filhos e as nossas filhas que estão no espaço educativo. O que dizer sobre aquela redação em que uma aluna desabafa que foi abusada no seio familiar? O Professor ensinou isso ou veio do ‘lar’? Será que não estão cobrando de Educadores e Educadoras aquilo que deveria ser discutido e trabalhado em casa?

Tenham mais respeito por essa profissão. Ninguém que assume uma sala de aula quer sair por aí ‘ensinando cosas erradas’... Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine (Rm. 12.7).

Professores e Professoras, continuem a ensinar com todo amor e com toda a dedicação que sempre fizeram!

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