Convenção de Ministros e Ministras da IECLB


Lucas 24.28-35

Prédica

17/10/2013

Convenção Nacional de Ministras e Ministros da IECLB - 2013
Entre alegria e sofrimento: espiritualidade e ética no Ministério na IECLB
P. Nestor Friedrich – Pastor Presidente da IECLB

“Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão com o Espírito Santo estejam conosco hoje e sempre. Amém!”

Estimados e estimadas colegas de Ministério: Pastores e Pastoras, Diáconos e Diáconas, Catequistas e Catequistas, Missionários e Missionárias!

Estimados irmãos e irmãs de caminhada ministerial na IECLB!

O texto bíblico que escolhi para este culto de encerramento da nossa Convenção é Lucas 24, os versículos 28-35.

Todos nós o conhecemos e sobre ele já pregamos. O que quero destacar desta parte final é algo que entendo como fundamental na nossa caminhada ministerial: a hospitalidade. Aqueles dois discípulos convidam Jesus, mesmo ainda não o reconhecendo, a ficar na sua casa.

Nestes dias, desde terça-feira, nós formamos uma comunidade muito especial. Somos aproximadamente 500 irmãos e irmãs que abraçaram o Ministério nesta Igreja chamada IECLB.

Ministros e Ministras que vivem da graça de Deus, graça esta que se mostra na diversidade de dons, ênfases teológicas, na riqueza da diversidade de Ministérios que caracteriza o corpo vivo de Cristo, a sua Igreja.

Somos lideranças nesta Igreja, formadores e formadoras de opinião!

Ministros e Ministras vocacionados e vocacionadas por Deus para ser, participar, testemunhar a causa do Reino de Deus, para viver comunidade.
Ministros e Ministras que têm a promessa de Deus:

“Não fiquem com medo, pois estou com vocês; não se apavorem, pois eu sou o seu Deus. Eu lhes dou forças, ajudo e protejo com a minha forte mão” (Isaías 41.10).

Ministros e Ministras a quem (considerando o contexto do Lema bíblico que acompanha o Tema do Ano, o exílio babilônico: vale de ossos secos, fragilizados) Deus chama pelo nome – tu és meu! (Isaías 43.1)

Ministros e Ministras pelos quais agradeço a Deus, agradeço a Deus pelos irmãos e irmãs na fé e pela família de fé da qual sou parte pela graça de Deus.

Fiquei mais convicto disto depois de retomar o livro “Vida em Comunhão” do Pastor Dietrich Bonhoeffer.

Agradeço, porque se trata de um privilégio, agradeço pelos colegas, pelas colegas com os e as quais pude interagir nestes últimos 30 anos. Por meio deles Deus também tem me ensinado.

Por tudo isto, encerrar esta Convenção Nacional de Ministras e Ministros da IECLB com uma celebração eucarística tem um simbolismo muito especial.

O tema do nosso encontro, “Entre alegria e sofrimento: espiritualidade e ética no Ministério na IECLB”, nos conduziu por diferentes momentos de comunhão – nas palestras, nas oficinas, nas conversas, em torno da mesa no jantar de confraternização e agora, quando celebramos a ceia do Senhor antes de voltarmos para as nossas “Jerusaléns”! Ao encontro das nossas famílias, membros das nossas Comunidade, pessoas que Deus confiou aos nossos cuidados!

Lucas 24 tem sido fonte inesgotável de inspiração para o exercício do meu Ministério.

Quero destacar alguns aspectos que entendo fundamentais no exercício do ministério:

- Não caminho sozinho! A convicção da presença de Cristo é fundamental! Trata-se de uma experiência de fé! A convicção da presença amorosa, instigadora, capacitadora e de cuidado por parte de Deus neste caminhar ao lado de irmãos e irmãs tem sido fonte de fortalecimento da fé, renovação diária da esperança e a confirmação da convicção acerca da missão confiada por Deus à IECLB e, de forma especial, a nós, Ministros e Ministras, no contexto em que vivemos.

- Não é uma caminhada solitária. Há pessoas ao meu lado! Somos uma Igreja sinodal – juntos e juntas no caminho! É nesta perspectiva que quero convidar a vocês, inspirados pela Palavra de Deus, a nos vermos, a nos percebemos enquanto Ministros e Ministras da IECLB, ao lado de irmãos e irmãs na fé, e não ao lado de concorrentes, inimigos, a nos ajudarmos, apoiarmos, aconselharmos e, se for necessário, admoestarmos. É isto que eu espero de vocês também em relação a mim mesmo.

Quando leio o texto de Lucas 24, procurando sentir o que se passa com aqueles dois discípulos, não tem como não ficar sensibilizado com o sentimento de fragilidade dos mesmos (ou até mesmo identificar-se), que fogem da experiência da cruz. A perplexidade, o medo com que a experimentaram é tamanho que sequer reconhecem aquele que caminhava ao seu lado. Apenas lhe relataram os fatos e o convidaram a abrigar-se com eles.

Este é também o sentimento compartilhado por colegas nesta Convenção: o peso que sentimos e que decorre das nossas atividades, responsabilidades.

Jesus não se contenta com a primeira resposta dos discípulos. Tem paciência, mas insiste no aprofundamento da conversa.

Jesus não se conforma com a primeira resposta. Instiga à reflexão, à releitura, a uma percepção diferente daquela manifestada pelos dois discípulos.

Em minhas “andanças” pela IECLB, tenho insistido nesta dimensão fundamental que Jesus nos ensina neste texto: o diálogo. Conversar! O diálogo como caminho para mudança de percepções acerca da realidade, como caminho para o crescimento.

Por que insisto nesta dimensão do diálogo? Porque fico assustado como, em alguns contextos na IECLB, são feitas afirmações sem a devida comprovação, sem a devida análise, sem o mínimo de esforço para aprofundar a questão. Não nos esqueçamos que nós somos lideranças nesta Igreja!
Eu pergunto a cada um, a cada uma de vocês: nós nos permitimos rever as nossas visões, teologias, percepções, ações? Melhor: você permite que o próprio Cristo lhe questione na sua visão e na percepção da realidade?

Da palestra do Rev. Ricardo Gondim ficou muito marcada a frase: “não estamos aqui para dar certo, mas para sermos fieis”, com o que todos e todas concordamos. A mim, contudo, marcou a resposta que o Rev. Ricardo deu para a pergunta feita pelo colega P. Oziel: “você mudou a sua Teologia nestes últimos 15 anos”, ao que Rev. Ricardo respondeu: “sim, eu mudei”!

Nós nos permitimos mudar? Nós nos permitimos dialogar, conversar acerca de temas que nos são sensíveis na perspectiva de crescimento e fortalecimento?

Como conversamos?

Um momento de diálogo muito bonito que pude vivenciar este ano foi quando reunimos os Professores dos três Centros de Formação com as quais a IECLB tem convênio para falarmos sobre hermenêutica! Vimos que as nossas hermenêuticas são parciais, ninguém é dono da verdade.

Outro momento de diálogo que experimentei foi após a uma celebração de culto em uma Comunidade, em que uma senhora comentou comigo que, naquele culto, havia cantado hinos que há muito tempo não mais cantara. Ficou a dúvida se isto se deu porque eu estava neste culto. Em suma, nós nos permitimos dialogar sobre os nossos modelos de Comunidade, celebração, com vistas ao crescimento e ao fortalecimento da Igreja? Nós nos permitimos a autocrítica, rever e recomeçar de outra forma?

Conversar, dialogar é uma habilidade que necessita ser desenvolvida!

Cada um e cada uma de nós é um observador, uma observadora diferente da realidade. Há tentativas demais de querer impor “uma verdade”! Como se apenas alguns fossem fiéis ao Evangelho! Há muito monólogo na IECLB!

Dialogar e escutar são o caminho para construir novos bens coletivos éticos. Esta Convenção tratou da questão ética!

Este é também o pressuposto fundamental da estrutura organizacional da IECLB!

As perspectivas que nós temos e teremos enquanto IECLB estão intimamente relacionadas com a forma como nós conversamos e interagimos, a começar por nós, Ministros e Ministras, lideranças nesta Igreja.

Nesta perspectiva, como fruto do diálogo, vem a dimensão da hospitalidade. A hospitalidade nos humaniza, produz alegria! Quando nos reunimos em torno da mesa para uma refeição, nos alegramos, nos desarmamos. Diferente de quando estamos em reuniões. Exercitar a hospitalidade entre nós é o convite deste texto. Convite a nos cuidarmos, a sermos protagonistas nesta perspectiva.

O texto nos diz que aqueles dois discípulos reconheceram Jesus no partir do pão. Aí ele desapareceu! Os olhos dos discípulos se abriram. Eles se levantaram e foram ao encontro dos outros discípulos que estavam em Jerusalém. O Cristo vivo nos coloca a caminho, lado a lado, em direção ao irmão e à irmã, leva à comunhão, à Comunidade. Essa ação é conjunta, é comunitária, porque fé, esperança e amor agregam, decorrem da graça e levam à responsabilidade de uns pelos outros, de umas pelas outras.

Com temor, mas com os olhos e o coração abertos, os discípulos voltaram à conflituosa Jerusalém para contar que Cristo tinha ressuscitado. Penso que seja com esses mesmos olhos e coração abertos que somos desafiados hoje - como Ministros e Ministras e como Igreja - a proclamar que há razões sólidas para viver a fé, a esperança e o amor (1Co 13.13) na IECLB.

Quais poderiam ser os balizadores do nosso caminho enquanto Ministros e Ministras e que são motivo para ir e atuar com ânimo e alegria? Quero destacar apenas alguns pontos:

- somos uma Igreja que tem uma Teologia bonita, profunda. Quem conhece a nossa Igreja testemunha isto;

- somos uma Igreja sinodal - nem episcopal, nem congregacional. Sinodal! Vale dizer que somos uma Igreja democrática. Existe amplo espaço para manifestação, para discussão, para discordância;

- somos uma Igreja que tem credibilidade;

- somos uma Igreja que, motivada pelo Evangelho, sempre mostrou ousadia. Recordemos: no ano passado, celebramos 30 anos de ordenação de mulheres. Somos uma Igreja que ousou no Ministério com Ordenação Compartilhada;

- somos uma Igreja histórica. Isso tem consequências. Isso define traços do rosto da IECLB. A nossa história moldou vidas, caracteriza atitudes de fé. A história da IECLB ajudou a escrever histórias de vida, moldou elementos da espiritualidade de muitas pessoas;

- somos uma Igreja com Comunidades que, em termos gerais, querem bem a seus Ministros e suas Ministras;

- somos uma Igreja que acredita no Ministério Compartilhado em sentido lato, abrangendo Ministros, Ministras e membros não ordenados. Pensemos na riqueza da média das nossas lideranças. A sua abnegação no serviço ao Senhor, a sua disposição de caminhar junto conosco, a disposição de tantas lideranças que não nos querem ver sobrecarregados, sobrecarregadas, que são parceiras, dedicadas.

Estimados irmãos e irmãs de caminhada, que neste caminho, juntos e juntas, possamos fazê-lo na certeza e na confiança do Deus que, em Cristo, caminha conosco.

Que, no exercício do Ministério, as fragilidades das Comunidades não sejam vistas como empecilho para o nosso desenvolvimento ministerial, mas como oportunidade para, nesta Comunidade, contribuirmos com a riqueza de dons e capacidades que Deus nós deu.

Que, na nossa caminhada ministerial, enquanto irmãos e irmãs que caminham juntos e juntas, levemos as cargas uns dos outros.

Que os nossos diálogos nos levem à hospitalidade, à construção de relações de confiança e respeito e que estes resultem em alegria no Ministério.

“Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Amém!”


Autor(a): Nestor Paulo Friedrich
Âmbito: IECLB / Organismo: Convenção de Ministros e Ministras da IECLB
Testamento: Novo / Livro: Lucas / Capitulo: 24 / Versículo Inicial: 28 / Versículo Final: 35
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 25230
Deve-se orar de forma breve, mas seguidamente e com convicção.
Martim Lutero
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