Presidência da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil


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Cuidado com a Criação

Palavra da IECLB - O que dizem os manifestos e posicionamentos da Direção da IECLB

1. Fundamentação:

O que diz o PAMI sobre sustentabilidade:
Sustentabilidade é a capacidade de um sistema de criar as condições favoráveis para sua sobrevivência e para seu desenvolvimento no presente e no futuro, evitando o esgotamento ou a sobrecarga dos recursos que o mantêm. A história do conceito da sustentabilidade liga-se à preocupação crescente em alcançar o equilíbrio entre atividade econômica, meio ambiente e bem-estar da humanidade. Em meio à crise ambiental em nossos dias, a promoção do desenvolvimento sustentável tornou-se decisivo para o futuro da vida em nosso planeta. Entrementes, o conceito de sustentabilidade também é fundamental para a administração e a gestão de organizações de todos os setores, especialmente no gerenciamento de organizações da sociedade civil, o chamado terceiro setor, ao qual pertencem as ONGs, as fundações, associações, igrejas etc.. É consenso que a sustentabilidade é resultado de um processo de desenvolvimento e fortalecimento institucional.

Não raro, a preocupação com a sustentabilidade da igreja encontra resistências no contexto da teologia luterana. Para ela, o que cria e sustenta a igreja não está à disposição, não é manipulável nem gerenciável. Teologicamente, a sustentabilidade da igreja vincula-se à ação do Espírito Santo, que cria fé e comunidade ali onde a palavra é pregada e os sacramentos são administrados de acordo com o evangelho. A história da igreja luterana nascente, porém, revela que os reformadores realizaram ações concretas visando assegurar e desenvolver a sustentabilidade de comunidades e paróquias.
PAMI – Plano de Ação Missionária da IECLB – texto-base
Texto-base completo

 

As quatro dimensões principais da vivência missionária relacionam-se com três eixos transversais: educação cristã contínua, administração criativa de recursos com vistas à sustentabilidade da missão e comunicação. Estes três eixos transversais levam a alcançar o propósito de criar e recriar comunidades.

(...) A sustentabilidade é a capacidade de um sistema, como a igreja, de criar as condições favoráveis para sua sobrevivência e para seu desenvolvimento no presente e no futuro, evitando o esgotamento ou a sobrecarga dos recursos que o mantêm. A sustentabilidade da igreja vincula-se à ação do Espírito Santo que cria fé e comunidade ali onde a palavra é pregada e os sacramentos são administrados de acordo com o Evangelho. À essa dimensão espiritual da sustentabilidade da igreja corresponde também uma dimensão racional que implica em tomar o planejamento estratégico como ferramenta útil e necessária na construção de um novo futuro, pois a missão, para ser ‘‘sustentável’’, não somente necessita de recursos mas, também, de sua correta administração. Trata-se de articular fé, gratidão e compromisso.
PAMI – Plano de Ação Missionária da IECLB – Linhas Mestras
Texto completo das Linhas Mestras

O que dizem manifestos e posicionamentos da Direção da IECLB sobre Cuidado com a Criação:
Um princípio fundamental da Reforma, no século XVI, e parte integrante da confessionalidade luterana, é também o total respeito à consciência de cada pessoa e a suas próprias decisões de fé, ainda que a Igreja deva proclamar sempre e em todos os lugares os valores da Palavra de Deus. Entre estes se destacam o cuidado para com toda a criação, a dignidade de todo ser humano como criatura criada à imagem de Deus e a edificação de comunidades acolhedoras e fraternas, nas quais não haja exclusões e onde, por isso mesmo, gozam de especial carinho todas as pessoas pobres, as que padecem necessidades ou sofrem injustiças e opressão.
Manifesto Pelo Fim da guerra santa nas eleições – 2010
Texto completo do Manifesto

Desde o começo da história de Deus com o mundo, o seu olhar sempre foi de bondade, misericórdia e compaixão. O olhar amoroso e apaixonado de Deus para com o mundo inicia com a criação. Começa com o seu gesto que dá forma, ordem, luz e vida ao caos e à escuridão que cobria o universo. Inicia com o seu ato de amor que cria homem e mulher à sua imagem e semelhança.

Deus nos fez à sua imagem e semelhança não por acaso. Ao fazê-lo, ele nos convida, como homem e mulher, a vivermos uns com os outros o que de mais belo e maravilhoso nos é dado na sua criação: o amor. É o amor de Deus que dá vida ao universo, que nos convida à solidariedade, à fraternidade, à partilha e à comunhão uns com os outros. É esse amor que nos chama à reconciliação e nos leva a contemplar e cuidar da criação de Deus com paixão e amor. É o amor de Deus que nos faz ver com ele que tudo o que ele fez é bom.

Mesmo depois do ser humano ter quebrado a harmonia da criação ao desobedecer a ordem divina, Deus se revela misericordioso e amoroso ao tentar restabelecê-la com o dilúvio. Porém, a resposta humana, manifestada na torre de Babel, mostra novamente a nossa presunção em sermos os construtores da ponte entre a terra e o céu.

O olhar de amor de Deus, no entanto, vem novamente restabelecer a ordem da criação, organizando a sociedade humana em família. Infelizmente, ao gesto de amor de Deus, nossa resposta é a escravidão.

Diante da escravidão, Deus volta a buscar refazer a harmonia da criação com o gesto de amor de libertar e dar uma terra. A terra da promessa, conhecida como terra que mana leite e mel, porém, torna-se lugar para oprimir, escravizar e sufocar a vida. Através dos profetas, Deus procura chamar o seu povo de volta à verdade e à justiça. No entanto, percebendo que a humanidade caminhava para um caos ainda maior, onde a própria lei divina, dada a Moisés para libertar, foi usada para oprimir, excluir e marginalizar, Deus realiza a sua maior demonstração de amor pela humanidade ao enviar ao mundo o seu querido e amado Filho, Jesus Cristo.
PAMI – Plano de Ação Missionária da IECLB
Texto completo do Plano

 

1. A fé cristã entende a vida a partir da ação criadora de Deus. Sendo Ele o doador da vida, não é possível reduzi-la a uma propriedade privada. A vida é concessão, é presente, é dom de Deus. Porque criada e nutrida por Deus, a vida tem uma profundidade insondável. Esta profundidade misteriosa da vida não permite que ela seja transformada em coisa ou objeto que se possa manipular, vender ou comprar. O bem da vida é uma graça que recebemos, mas da qual não podemos dispor. Porque é indisponível, a vida não pode ser consumida irresponsavelmente nem pode ser descartada levianamente. A vida é um bem sagrado. O testemunho da Escritura aponta para esta sacralidade da vida e nos convida a assumirmos uma atitude de profundo respeito, pois Deus viu que o que criou era “bom”, “muito bom” (Gn 1.10, 12, 18, 21, 25, 31).

2. Contudo, a bondade da criação não reside no fato dela ser boa em si mesma. A bondade da criação repousa sobre o amor transbordante de Deus. Mesmo depois da queda, Deus continua amando sua criação e a tem sob o seu governo. A prova maior deste amor é o fato de Deus ter enviado o seu Filho Jesus Cristo para a salvação de todas as pessoas e para a redenção do universo.

3. O pecado é a real tragédia do ser humano e de toda a criação, que é marcada pela morte. O pecado rompeu definitivamente a relação entre Deus e o ser humano, entre o ser humano e os outros seres da criação e a relação dos seres humanos entre si. Cada qual se transforma no inimigo do seu semelhante. Contudo, Deus e o mundo não são inimigos. O mundo não é propriedade do diabo, mas permanece sendo a boa criação de Deus, ainda que profundamente marcada pelo pecado.
3.1. De fato, há uma fraternidade na tragédia e na esperança entre todos os seres vivos. Na tragédia, porque a criação como um todo sofre a realidade da morte, que também se mostra na destruição dos seres vivos (Rm 8.20, 22-23). Mas há também uma solidariedade na esperança, porque todos aguardam pela realização do Reino de Deus, que significa a superação da morte e do sofrimento (Rm 8.19, 21, 24-25).
3.2. Entretanto, isso não dispensa o cristão de assumir sua tarefa de ser um bom administrador, cuidando da boa criação de Deus (Gn 2.15). Somos chamados à responsabilidade, ou seja, devemos responder pelos nossos atos diante do Deus vivo e verdadeiro. Muitas pessoas cristãs ficam inquietas com as notícias de que a ciência já dispõe de instrumentos técnicos para viabilizar a clonagem de seres humanos. Isso assusta também a opinião pública e muitos cientistas.
3.3. A Igreja de Jesus Cristo tem o seu compromisso de afirmar a dignidade da vida humana. Falar isso somente é possível na medida em que afirmamos que a vida é um dom de Deus. A visão corrente na mídia - de que somente a qualidade de vida é critério para definir a dignidade da vida - parte do pressuposto de que a ausência de dor e de sofrimento é o critério maior para determinar a dignidade da vida humana. O prazer de viver é o imperativo categórico da sociedade de consumo e o sofrimento é considerado uma condição inaceitável.

(...) A ganância alimenta o nosso coração e o consumo engorda os nossos corpos. É necessário ver que a criação foi colocada por Deus para que ela fosse preservada e que fosse responsavelmente utilizada. A utilização dos recursos naturais deve garantir a vida desta e das futuras gerações para que também estas possam viver de forma digna. A possibilidade de manipulação genética vinculada à exploração comercial de seres vivos, por exemplo, sinaliza para uma relação perversa entre ciência, comércio e criação. Aquelas pessoas que deveriam ser as jardineiras, que cuidam do jardim de Deus, se transformaram em predadoras.

(...) Numa perspectiva teológica a vida tem uma dignidade inviolável, porque provém de Deus. Assim é necessário recuperar o temor diante da vida. Albert Schweitzer, importante teólogo protestante e médico, tinha a consciência de que todas as formas de vida devem ser vistas sob a perspectiva do temor respeitoso. Sob a ótica evangélica, a vida não é propriedade, como quer o mercado, nem objeto, como pode supor a ciência, mas é dádiva de Deus. Este deve ser o ponto de partida para um agir responsável.

A Escritura aponta para a nossa responsabilidade diante de Deus, da criação e do ser humano. É necessário garantir a existência da criação para as gerações futuras. Estamos geneticamente e historicamente ligados. Diante disso, a visão de que Deus ama o mundo na sua totalidade nos dá olhos que enxergam o mundo como o nosso próximo. Não somente o ser humano é nosso próximo, mas também os seres da criação o são. Nos relatos dos Evangelhos, Jesus Cristo, o Filho de Deus, é profundamente sensível para com os seres da criação e em especial para com os seres humanos.
Manifesto sobre Bioética – 2008
Texto completo do Manifesto

 

Na criação, Deus concedeu à humanidade todos os bens necessários para uma vida digna. Inclui-se nesta a oportunidade de trabalho e de usufruto de seus benefícios. O evangelho não nos deixa conformados quando há, de um lado, acúmulo de bens e, de outro, a falta do mais elementar. Anunciamos a vinda do reino de paz e justiça, o qual nos desafia para sermos seus arautos e instrumentos.
Manifesto do Concílio de Chapada dos Guimarães - 2000
texto completo do Manifesto

 

Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. (Salmo 24.1)
A criação não é nossa propriedade. Não podemos fazer com ela o que bem entendemos. Dono da criação é Deus. Ele criou os seres humanos com a tarefa de cuidar, guardar e cultivar a boa criação de Deus. Somos, portanto, capatazes apenas e teremos que prestar contas diante do Criador. É verdade que ele nos deu inteligência para criar e desenvolver recursos novos que favorecem ou prejudicam esse cultivar. Critério para qualquer pesquisa científica somente poderá ser este: As inovações científicas e tecnológicas servem à preservação e promoção da vida humana, vegetal e natural? Enquanto persistirem dúvidas a respeito, como acontece no caso dos transgênicos, essas descobertas ainda deverão ser testadas, pesquisadas e aperfeiçoadas, antes de serem colocadas em prática, com segurança e responsabilidade para o bem comum.
Manifesto Alerta sobre transgênicos – 1999
texto completo do Manifesto

 

Na qualidade de membros da Igreja de Jesus Cristo, estranhamos a ideia do patenteamento de qualquer forma de vida, ainda que de microorganismos, por consideramos tal apropriação incompatível com a ética cristã. Vida jamais permite ser considerada “propriedade industrial”. Ela é sempre patrimônio da humanidade e dom de Deus, concedido para o usufruto responsável.
Manifesto sobre Patenteamento de Sementes – 1991
Texto completo do Manifesto

 

(...) o ser humano perde o direito de se dirigir a Deus, se destruir as condições da produção agrícola, se não tomar providências para a justa distribuição dos recursos, se a prece do PAI NOSSO não estiver acompanhada da ação humana responsável. O cuidado ecológico, em sua estreita vinculação com a justiça social, faz parte das responsabilidades de todo cristão, de toda pessoa humana e das Igrejas.

(...) crimes ecológicos equivalem a crimes contra o próprio Deus.
Sua criação é sagrada, condição de vida do ser humano. Importa reaprender que somos parte desta criação: Com ela vivemos ou sucumbimos.
Manifesto Em defesa da Amazônia – 1988
texto completo do Manifesto

 

2. Desdobramentos práticos sobre Cuidado com a Criação:

Impõe-se o imperativo da renúncia ao consumo, especialmente por parte de quem tem recursos; impõe-se a necessidade de investir em tecnologias alternativas, impõe-se a urgência de equilibrar os escandalosos desníveis sociais em todo o mundo. Pois os piores inimigos do meio ambiente são a pobreza e o luxo. A humanidade - será ela capaz de promover as mudanças que a garantia do futuro exige e de redirecionar o comportamento?
Manifesto sobre Meio Ambiente – 1992
Texto completo do Manifesto

 

O Concílio Geral da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, no atendimento de sua responsabilidade pública, insiste no imediato cumprimento das determinações constitucionais através de medidas legais que interrompem o processo destruidor da Amazônia e de outras Regiões ecologicamente vitais. Há sinais alvissareiros de crescente conscientização. Mas ainda são insuficientes. Entre as medidas a serem tomadas destacamos:
- Proibição de todos os projetos agropecuários, siderúrgicos, energéticos e outros prejudiciais ao meio ambiente amazônico, sua fauna e flora.
- Interdição da exploração das riquezas florestais e mineiras sempre que possuam efeito poluente ou devastador.
- Fiscalização rigorosa do cumprimento das medidas de proteção ambiental e penalização dos infratores.
- Campanha educativa, especialmente na área, no que diz respeito à ecologia e suas implicações.
- Promoção da justiça social como meio de sustar a colonização predatória por parte de quem luta pela sobrevivência.
- Proteção ao habitat dos povos indígenas, demarcação de suas áreas e combate à exploração ilegal de suas riquezas.
- Sensibilização da opinião pública internacional quanto a fatores co-responsáveis pela destruição, a exemplo da dívida externa, causa da necessidade da exportação a qualquer preço.
A gravidade exige medidas enérgicas, imediatas, incisivas. Urge passar da retórica para a ação. Dentro de alguns anos poderá ser tarde.
O Concílio Geral da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil lembra que crimes ecológicos equivalem a crimes contra o próprio Deus.
Sua criação é sagrada, condição de vida do ser humano. Importa reaprender que somos parte desta criação: Com ela vivemos ou sucumbimos.
Manifesto Em defesa da Amazônia – 1988
Texto completo do Manifesto
 


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