Diaconia - A fé ativa pelo amor


Diaconia - desafios

Existem ao nosso redor inúmeros problemas que clamam por uma solução. A pergunta que surge é: sobre quem recai a responsabilidade? De quem se espera uma solução? Unicamente dos órgãos governamentais? Não! Todo aquele que se diz discípulo de Jesus Cristo, individualmente, é responsável, pois um cristão que é indiferente à injustiça e se furta à responsabilidade em questões sociais e econômicas, preocupando-se unicamente com o seu próprio bem-estar, não segue o seu Senhor.

Neste particular, mais do que a participação ativa em iniciativas da igreja, impõe-se a cada cristão que seja fiel a seu Senhor no âmbito concreto de seu viver e atividade profissional. Isso significa encarar toda a sua vida como estando a serviço de Cristo e do próximo. Embora possa ser por vezes necessário renunciarmos a atividade ou profissão em que nos encontramos, para melhor servir. Via de regra, ali onde estamos somos chamados a esse apostolado de amor. De outra parte, assim como o cristão individualmente, também a comunidade cristã e a Igreja são responsáveis pelo mal e, portanto, chamadas ao discipulado.

Na prática, há problemas que podem ser solucionados por atos individuais. Muitos, porém, só podem ser atacados pela ação coletiva. Tampouco basta a ação meramente caritativa e assistencial; é necessária igualmente a ação pública e transformadora. Como agir numa comunidade? Cada qual deverá encontrar a solução mais condizente com a situação peculiar.

Sugerimos a criação de pequenos círculos com a finalidade de:
- identificar, numa reflexão conjunta, as situações de necessidade na sociedade em geral e particularmente na comunidade local;

- procurar agir no sentido de transformar tais situações, levando à comunidade impulsos para um engajamento social que envolva o maior número possível de membros;

- colaborar e solidarizar-se com outros grupos de propósito idênticos.

Se nos voltarmos assim para o pequeno círculo de nossa comunidade local ou eclesial, podemos questionar-nos para saber quantos de nossos irmãos são vítimas da injustiça, do pecado no âmbito social, em suas diversas formas? Quantos de nossos vizinhos ou conhecidos são vítimas da ignorância por falta de oportunidades? Quantos deles, querendo trabalhar, não obtêm um emprego e um nível de renda convenientes para satisfazerem suas necessidades básicas? Quantas pessoas são oprimidas por doenças decorrentes da fome e da miséria e não podem valer-se por si mesmas? Quantas são vítimas de preconceitos ou de perseguições? Quantas vezes já dedicamos algum tempo a interessar-nos por pessoas necessitadas e indefesas? Ou será que sempre e exclusivamente nos preocupamos apenas com o nosso bem-estar individual e familiar? Examinando, pois, os problemas de subsistência, habitação, saúde, educação, emprego, distribuição de renda, criminalidade, vício e outros em nosso meio, quais são os recursos de que dispõe a nossa comunidade? Qual é a composição profissional de seus membros? Quais são os instrumentos e organizações para a transformação? São eles apropriados para tal objetivo? Em suma: que quer Cristo de nós diante de tais situações?

Fonte: Nossa Responsabilidade Social, documento aprovado pelo Concílio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, 1978 – veja versão completa

O especifico da diaconia evangélica reside, sobretudo em sua motivação e seus objetivos. Está embasada no Evangelho e tem, no culto, sua meta, o que, naturalmente, mostrará reflexos na sua práxis. E porque não podem ser separadas a ação diaconal e o testemunho evangélico. Embora não idênticas, deverão permanecer correlacionadas. Nem sempre a correlação precisa ser explícita. Diaconia se corrompe ao transformar-se em evangelização forçada. Deve permanecer gratuita, abster-se de fazer imposições e cuidar para não criar novas dependências. E, todavia, ficará em débito com as pessoas, se sua obra que é limitada não apontar para o amor ilimitado de Deus e deixar de ser para ele transparente.

A razão de tal afirmação está numa concepção abrangente do que seja saúde humana. Inclui, necessariamente, elementos do que a Bíblica chama de salvação. Toda riqueza, todo bem-estar físico e social não bastam para assegurar às pessoas vida plena e integral. Sem a capacidade de crer e de amar, tudo isso se reduz a nada. Não o sujeito que se auto-realiza, mas, sim, a pessoa que agradece, sendo, por isso, capaz de servir, é a que a diaconia tem em vista. Salvação e bem-estar estão mais próximos um do outro do que normalmente se supõe. Somente em conjunto constituem a saúde humana.

Diaconia é exigida de toda pessoa. Mas a tarefa ultrapassa as potencialidades individuais. Há desafios que podem ser atendidos somente pela comunidade. É importante resistir tanto à privatização da diaconia, que vai transformá-la em assunto particular, quanto à coletivização da mesma, que vai transferir a responsabilidade à organização eclesial e desincumbir o indivíduo de sua tarefa. Diaconia é sempre atribuição individual e comunitária. Cabe refletir sobre as incumbências específicas das partes e buscar definições.

É claro que a diaconia evangélica se destina a todas as pessoas, independentemente de raça, credo ou cultura. Ainda que os membros da própria comunidade sejam os mais próximos e os primeiros destinatários, o bem deve ser feito a todos os homens e a todas as mulheres (conforme Gl 6.10). Diaconia não faz acepção de pessoas. Usa, por parâmetro, a necessidade, não a dignidade. Ela é testemunho prático, inserindo-se, por isso, na tarefa missionária da Igreja.

Considerando a magnitude do campo diaconal e a missão comum de todos os cristãos, a ação diaconal procurará a cooperação ecumênica, sim, em sentido amplo, a cooperação de todas as pessoas de boa vontade. O fraccionamento das forças no combate ao mal e na libertação das pessoas daquilo que as oprime representa procedimento culposo e prejuízo à missão de Igreja. Além disso, é justamente a comunhão no serviço que promove a unidade das Igrejas, proporcionando-lhes valiosas experiências de fraternidade eclesial Diaconia e ecumenismo se exigem e deveriam estimular-se mutuamente. Isso, com o objetivo de aumentar a eficácia da ação e de cumprir o mandato comum da una santa Igreja cristã, para a glória de Deus e o bem de sua criatura.

Diaconia Evangélica - Posicionamento do Conselho da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB, 1988 - veja versão completa
 


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