Culto e Liturgia

Culto - Liturgia de Entrada

Providências
O preparo de um culto começa bem antes da sua efetiva realização. Além da moldagem da liturgia, em vista da situação específica, há a necessidade de definir tarefas e providenciar – com antecedência e com carinho – símbolos e material de infra-estrutura. Um bom culto também depende disto.

Chegada
Recomenda-se que cada comunidade encontre o jeito mais adequado de receber as pessoas, à medida que elas vão chegando ao local do culto. Isto vale para as pessoas que já se conhecem. Mas deve ser considerado de modo especial em relação às pessoas desconhecidas.

Para esse momento, é preciso providenciar um lugar de encontro adequado.

De preferência, isto deve ser possibilitado num lugar fora da Igreja. Ali há recepção, diálogo, integração.

Enquanto isso, quem quiser poderá se recolher ao espaço silencioso, dentro da Igreja.

Nesse período, as pessoas podem ser recepcionadas com canções e músicas. O preparo do lugar litúrgico pode ocorrer nesse momento. Pessoas da própria comunidade podem ser convidadas para isso. Também pode ser ocasião para apreciar exposição de quadros, fotos, objetos relacionados ao tema do culto.

Informações técnicas e ensaios prévios
É preciso ter cautela na introdução de novidades no culto da comunidade. Recomendam-se explicações sobre mudanças na liturgia, bem como ensaios prévios daquilo que é desconhecido. Isso pode acontecer nos grupos da comunidade, de preferência, mas também antes de iniciar o culto, desde que seja breve.

Evitem-se as informações técnicas durante o culto. Elas perturbam a comunidade e impedem o estabelecimento do verdadeiro clima de culto.

Sino
A passagem entre o momento das informações técnicas e do ensaio de músicas e o início efetivo do culto precisa ser sinalizada claramente. Havendo sino, ele é tocado para desempenhar esse papel.

Esta passagem pode ser feita com o Prelúdio. Também poderá acontecer por meio de um instante de silêncio, para o qual se precisa convidar e orientar a comunidade.

O sino anuncia e convida para o culto.

Oração preparatória individual
Este é o momento oportuno para que cada pessoa faça, em silêncio, a Oração preparatória individual. As pessoas precisam ser estimuladas para redescobrirem e valorizarem esse componente da espiritualidade cristã.

Prelúdio
O Prelúdio – através de uma peça musical meditativa executada no órgão, ou tocada pelo violão solo, ou pelo grupo de músicos, ou cantada pelo coral – chama e congrega a comunidade. Seguindo o sino, o Prelúdio ajuda a criar o ambiente de culto. Prepara as pessoas e as une num mesmo propósito. Sensibiliza-as ante a presença de Deus e sua comunidade reunida. Além disso, é momento de arte e de beleza.

Acolhida (versículo de entrada)
O culto resulta da ação primeira de Deus. Por isso, a comunidade é acolhida por Deus mesmo. Para transmitir essa acolhida de Deus, L faz uso do Versículo de entrada, que pode ser substituído por um poema ou outro texto breve pertinente. Em princípio, ele indica o tema do culto, ou o lema da semana.

Essa mensagem ainda pode ser comunicada através de uma imagem, ou de um gesto, ou de uma dança litúrgica, ou do Prelúdio.

A ênfase da acolhida de Deus, no início do culto, antes mesmo do “Bom-dia!” da pessoa que preside, é o anúncio de que Deus acolhe, ampara e protege a comunidade; é a revelação de que o Deus gracioso se deixa encontrar e está com a comunidade reunida.

Aqui convém lembrar (com utilização de símbolos!) o tempo litúrgico em que se está realizando o culto, fazendo menção clara ao nome do domingo.

Depois do “Bom-dia!” de Deus, a comunidade é saudada e recebida com carinho, com calor humano por quem coordena o culto. Pessoas visitantes são apresentadas, cumprimentadas, acolhidas. Pode haver um momento para a integração.

Devem-se distinguir as situações específicas: podem estar presentes pessoas enlutadas, aniversariantes, batizandas, nubentes, casais que festejam a data do seu casamento, confirmandos jubilares, etc.

Nesse momento pode-se informar, de maneira objetiva, sobre nascimentos, pessoas enfermas, pessoas que voltaram do hospital para casa, falecimentos. Esta é a ocasião para a “recordação da vida”: as pessoas compartilham fatos marcantes que aconteceram durante a semana.

A Acolhida é o momento de envolver a comunidade – de “quebrar o gelo” –, de modo que ela se sinta como família de Deus.

Hino – Cântico de entrada
Para reunir a comunidade, para estabelecer o clima de culto e para fazer ecoar o louvor da comunidade, canta-se um hino. Esse pode ser um hino ou cântico da época litúrgica, da hora do dia (matutina, vespertina), do tema do culto, de invocação do Espírito Santo ou da Trindade.

Nesse momento podem-se cantar mais hinos.

Saudação apostólica ou Voto inicial
Por meio desta saudação (que pode vir antes do Versículo de entrada ou da Acolhida) fica expresso que o culto se realiza em nome, sob a graça e na companhia do trino Deus.

O Voto inicial (segundo a liturgia “capixaba”) é conhecido como “Invocação trinitária” ou primeira parte do “Intróito”, segundo a liturgia prussiana.

Quando usado, o Voto inicial pode ser vinculado ao Salmo do dia, que culmina com o Gloria Patri (Glória ao Pai). Nesse caso, a seqüência será: Voto inicial, Salmo do dia (que pode ser cantado ou recitado por uma pessoa ou em forma de litania), Gloria Patri (que pode ser cantado). Esse conjunto de elementos deixa bem claro que o culto ocorre por incumbência, em nome e para a honra e glória do trino Deus.

Invocação
Em lugar do Voto inicial pode-se rogar pela presença do Espírito Santo

Oração preparatória da comunidade – Confissão de pecados.
Esta oração pode ser em forma de Confissão de pecados. Neste caso, observem-se alguns aspectos:
a) há muitas formas de realizar a Confissão de pecados. Uma delas é com a Absolvição explícita, acompanhada do sinal da cruz
.
b) a Confissão de pecados pode ser profundamente poimênica. Em vista disso, deve-se pensar na possibilidade de oferecer, em outros momentos, A Celebração da Penitência Comunitária e O Ofício da Absolvição Individual

c) nas origens do culto cristão, a Confissão de pecados estava vinculada ao Gesto da paz. Pecados eram reconhecidos e confessados a Deus e a comunidade ouvia a Absolvição. Ao mesmo tempo, as pessoas da comunidade faziam a reconciliação. Daí a importância do Gesto da paz na liturgia;

d) o lugar e a função da Confissão de pecados na liturgia não podem, todavia, fazer com que o significado da Ceia do Senhor fique reduzido a esse tema.

Uma música, uma canção do coral, um hino podem servir de estímulo para este momento. Pode ser útil um instante de silêncio para a confissão individual.

A Oração preparatória da comunidade não precisa necessariamente ter este caráter de confissão de pecados.

Pode ser prece pela presença do Espírito Santo. Pode pedir por corações abertos para ouvir a mensagem do Senhor
.
A Oração preparatória da comunidade pode situar-se em outro momento da liturgia. Pode anteceder a Saudação apostólica, a Acolhida, ou até mesmo ser realizada como primeiro ato coletivo, fora ou dentro da Igreja. Assim, assumiria caráter pleno de preparação para o culto.

Kyrie
A comunidade reunida realiza culto num contexto em que há muitas e diversificadas formas de sofrimento. Pessoas na comunidade, na localidade e no mundo clamam, gritam por compaixão, por misericórdia. A comunidade cristã não fecha os olhos e ouvidos ao se confrontar com essa realidade. Ela se sensibiliza com essas dores. Assume- as como parte da sua preocupação e desafio diaconais. No caso específico do culto, ela se irmana com as pessoas que sofrem e, com elas, clama ao Senhor: Kyrie eleison! Senhor, tem compaixão!

Como ilustração dessa oração, segue o trecho inicial do Kyrie clássico
L. Em paz oremos ao Senhor:
C. Tem piedade, Senhor! (= Kyrie eleison).
L. Pela paz que vem do alto e a salvação dos oprimidos, oremos ao Senhor:
C. Tem piedade, Senhor!

Este conteúdo indica que há uma proximidade entre o Kyrie e a Oração geral da Igreja. Mas existe uma distinção essencial: o Kyrie aponta os clamores no mundo já na Liturgia de Entrada, e eles traduzem, em princípio, situações mais abrangentes. A Oração geral da Igreja vem depois da leitura e da pregação da Palavra e tem caráter mais específico.

Os exemplos desse clamor podem ser fruto de um diálogo, amplo ou em grupos menores, sobre a realidade de dor em que o culto é realizado. Nesse caso, algumas pessoas se expressam, de forma espontânea, sobre fatos da vida que revelam o gemido e o clamor de pessoas, bem como de toda a criação de Deus.

É essencial evitar que o Kyrie seja compreendido como extensão da Confissão de pecados. Para fazer essa distinção, pode ser útil que a comunidade fique em pé para a Confissão de pecados e sente para o Kyrie.

Gloria in excelsis
No culto, Deus está ali, no meio da comunidade, através da Palavra e dos Sacramentos. Essa presença é reconhecida com alegria e fé fervorosas. E isso se traduz em expressão de louvor a Deus e glorificação do seu nome. A comunidade dispõe aqui de um momento especial para expressar o louvor.

Essa exaltação de Deus pode (e deve!) ser vinculada à situação específica de cada culto. Por exemplo: a) havendo pessoas enlutadas, L dirá: “Estamos na presença de Deus, cuja Palavra diz: ‘Eu sou a ressurreição...’”.; b) em caso de Batismo: “Deus vem a nós e, no Batismo, coloca em nós o seu selo e nos diz: ‘Tu és meu’”; c) no dia de Pentecostes: “Deus está no meio de nós através do Espírito Santo. Isto nos afirma sua santa Palavra”.

É recomendável omitir o Gloria in excelsis no tempo do Advento e no tempo da Quaresma. Sua ausência, nesses períodos, ressalta o compasso de espera, de vazio, de inquietação da Igreja. Sua entoação posterior, especialmente nos ciclos natalino (como os anjos cantaram aos pastores de Belém, Lc 2.14) e pascal (como Maria Madalena cantou ao saber da ressurreição, Mc 16.10), destaca a exaltação da vinda e da presença de Jesus.

Oração do dia
Conhecida como Coleta, esta oração segue uma estrutura bem clara. Adaptada ao tema “Deus é ternura”, pode ser assim formulada:
L. (Invocação de Deus) Deus de ternura,
(referência a uma ação de Deus no passado)
Tu, que olhaste com ternura o grupo de hebreus que sofria no Egito e que com ternura acompanhaste nossos pais e nossas mães,
(súplica por atendimento)
nós te pedimos, olha também para nós com olhos de ternura,
(frase indicando finalidade, vinculada ao tema do culto)
para que, com ternura, enxerguemos as pessoas que nos cercam e, dessa forma, sejamos comunidade acolhedora.
(Doxologia com fórmula trinitária)

É o que te pedimos por Jesus Cristo, teu Filho, que contigo e com o Espírito Santo vive e reina, de eternidade a eternidade.
(A comunidade acolhe e subscreve a oração)
C. Amém.

Esta oração também pode assumir a função de recolher o que a comunidade expressou até esse momento do culto e apresentar isso a Deus, com o pedido de que sua Palavra a ilumine e oriente nesse contexto.
 

Fonte: Livro de Culto da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
- Portal Luteranos
 


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