Culto e Liturgia

Culto - Liturgia da Ceia do Senhor

Preparo da mesa e ofertório
Ofertas
As Ofertas – em dinheiro e em espécie – constituem uma das respostas cristãs concretas (ação diaconal) ao amor de Deus que fala através da sua Palavra e vem nos Sacramentos. As Ofertas traduzem a gratidão da comunidade a Deus, seu compromisso e sua solidariedade com pessoas que passam necessidade, visando a justiça (1Co 16.1-2; 2Co 8.9). Por isto mesmo, importa garantir que as Ofertas sejam parte do culto, e não um componente ou adendo secundário.

A Igreja edita, a cada ano, um caderno com os “Textos Motivadores” para as Ofertas. Precisa-se fazer uso deles para anunciar as Ofertas com toda a clareza. O gesto cristão de ofertar ainda pode ser motivado por depoimentos de pessoas que atuam em instituições ou projetos apoiados com esses recursos.

As Ofertas são recolhidas e levadas ao altar enquanto se entoa um cântico apropriado, ou se ouve uma música. Será significativo animar as pessoas que levam essas dádivas a fazerem uma oração de gratidão. As Ofertas também podem ser levadas pela própria comunidade. Considerando o que foi observado no texto anterior as ofertas podem ter sido recolhidas após a Confissão de fé. Nesse caso, podem ser levadas ao altar durante o Ofertório, junto com os elementos para a Ceia. Se forem recolhidas antes da Oração geral da Igreja, as pessoas beneficiadas podem ser incluídas nessa oração. Se recolhidas e levadas durante o Ofertório, são motivo para a gratidão e recomendação a Deus na Oração do ofertório.

Preparo da mesa
Para sinalizar, visivelmente, ter chegado o momento em que Deus serve a comunidade na Ceia do Senhor e para evidenciar que a Ceia tem caráter de refeição comunitária, a mesa pode ser preparada neste momento do culto: o pão e o vinho (ou suco) são levados, em procissão, até a mesa. Na medida em que este preparo envolve a comunidade, sublinha-se a idéia de que a palavra de Deus, lida e pregada, desperta e mobiliza as pessoas para uma reação – ou resposta-ação – à ação primeira de Deus. Essa reação, portanto, não é sacrifício propiciatório, mas fruto da fé que age no amor.

Ofertório
Junto com as ofertas em dinheiro, ou em seu lugar, podem ser levados – em procissão – alimentos e outros bens materiais, suportes da ação diaconal da Igreja. Se forem alimentos, será significativo que a própria comunidade os leve e que deles sejam separadas as porções de pão e de vinho (ou suco) para a consagração na Ceia do Senhor. Consagrar significa separar e destinar, por meio de oração, o pão e o vinho que serão usados para um fim específico: a Ceia do Senhor. O Ofertório também é momento apropriado para levar para o altar objetos representativos (símbolos) que traduzam a disposição e o compromisso da comunidade para o serviço na seara do Senhor. Seria ocasião oportuna para levar, por exemplo, um símbolo que traduza o compromisso do presbitério recém-instalado no culto, sempre como resposta ao amor primeiro de Deus por nós.

Oração do ofertório
A Oração do ofertório é uma oração de ação de graças pelo pão e o vinho (ou suco da uva) trazidos à mesa. Ela também dá graças pelos demais frutos do trabalho humano, trazidos à mesa para serem partilhados com pessoas que necessitem da solidariedade da comunidade. Por meio dessa oração, a comunidade entrega os frutos do seu trabalho nas mãos de Deus. As pessoas beneficiadas, por sua vez, receberão as dádivas das mãos de Deus, e não de pessoas individualmente. Eis dois exemplos dessa oração:
(a) L. Deus, fonte da vida, o que trazemos, recebemos de ti. Abençoa estas dádivas e derrama sobre nós o espírito da tua inesgotável generosidade, de sorte que sempre estejamos dispostos a repartir o que recebemos com pessoas que necessitam do teu amor. Glória seja a ti, por Jesus Cristo, nosso Senhor.
C. Amém.
(b) L. Deus, que nos acolhes qual bom pai e boa mãe, usa este pão e este vinho a fim de que sejam para nós sinais da vida nova em Cristo.

De muitos grãos moídos surgiu esta massa, e das vides amassadas resultou esta bebida saborosa. Da mesma maneira, faze com que, nesta Ceia, embora muitos e diferentes, nos acolhamos e nos tornemos um só corpo em Cristo.
C. Amém.

A passagem para a Ceia do Senhor
Sabe-se que o Ofertório é um dos elementos litúrgicos que está sendo redescoberto e recuperado para o culto regular da comunidade. Enquanto durar esse processo, a passagem para a Liturgia da Ceia do Senhor pode se dar por meio de um texto bíblico, como por exemplo:
a) Jesus diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, eu vos aliviarei” (Mt 11.28).
b) “Oh! Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurada a pessoa que nele se refugia” (Sl 34.8).
Outra possibilidade para dar início à Liturgia da Ceia do Senhor é cantar um hino.

Oração eucarística
Estando prestes a celebrar e experimentar a presença real de Deus na Ceia do Senhor, a comunidade reconhece e expressa, por meio de oração, esse mistério, gesto de amor extremo de Deus por nós. Esta é uma das funções da Oração eucarística.

A Oração eucarística dá ênfase à gratidão: pelo que Deus fez, faz e fará por nós enquanto Criador e mantenedor da vida; pelo que Deus fez, faz e fará por nós por meio de seu Filho Jesus Cristo, nosso redentor; pelo que Deus fez, faz e fará por nós através do Espírito Santo, o nosso consolador. Por meio desta oração, a comunidade agradece a Deus, louva e glorifica seu nome pelo benefício que recebe na Ceia.

A Oração eucarística é precedida pelo Diálogo. Seu texto clássico é:
L. O Senhor esteja convosco. C. E contigo também.
L. Elevai os corações. C. Ao Senhor os elevamos.
L. Demos graças ao Senhor, nosso Deus. C. Isto é digno e justo.

No coração da Oração eucarística está a Narrativa da Instituição, conhecida como Palavras de Instituição. Essa Narrativa afirma a presença real de Cristo; ela relembra e reafirma (“em memória de mim”), de maneira viva e atual, o benefício de Cristo (“por vós”) e expressa que a Ceia acontece em obediência à ordem de Jesus
(“fazei isto”).

É por esta oração – dentro da qual está a Narrativa da Instituição –, e pela presença e ação do Espírito Santo, que se realiza a consagração. Isso não acontece pela dignidade da pessoa que pronuncia suas palavras, nem pelos gestos que realiza.

Nesta oração pede-se que o próprio Deus, igualmente através da ação do Espírito Santo, atue, de sorte que a comunidade seja transformada em um só corpo, que experimenta e irradia comunhão (Epiclese de comunhão). A Oração eucarística afirma a perspectiva escatológica que move a vivência cristã. Daí a importância dos Dípticos ou Mementos . Afirma, assim, que a Ceia é celebrada em união com todas as pessoas que já partiram desta vida como seguidoras e testemunhas da causa de Cristo . Ao mesmo tempo, testifica a esperança cristã na ressurreição para a vida eterna, quando ocorrerá o banquete que o próprio Senhor vai preparar e servir à mesa.

A música pode ser componente relevante nesta oração. Podem ser cantados, entre outros refrãos: Sanctus, Epiclese, Doxologia final.

Convém lembrar que uma Oração eucarística pode, como qualquer elemento da liturgia, ser mais, ou menos, desenvolvida. Pode ser moldada! Portanto, resgatar esta oração para o nosso culto não significa, necessariamente, que “o culto fica muito comprido”
.
Pai Nosso
Como expressão da condição da comunidade, que é corpo constituído por filhos e filhas do único e mesmo Deus; que articula o pedido de perdão que conduz à reconciliação; que pede pelo pão diário para todas as pessoas, desafio constante para que a justiça de Deus seja feita, a comunidade ora a oração do Senhor.

É oportuno orar essa oração de mãos dadas. Valoriza a força do gesto, o contato corporal do corpo de Cristo. O Pai-Nosso pode ser cantado pela comunidade ou pelo coral. Ainda pode ser traduzido por meio de dança litúrgica.

Gesto da Paz
Cristo não poupou sua vida por nós. Nesse sacrifício está presente seu anseio profundo por paz, a paz que somente ele traz e oferece (João 14.27). Trata-se da paz que move e transforma pessoas; que excede nosso entendimento; que restabelece relações rompidas; que promove o perdão e articula a reconciliação.

A comunidade é convidada, a partir da paz e do perdão que Cristo concede, a realizar o Gesto da paz, através de um aperto de mãos, de um abraço, de um beijo facial (há que se respeitar valores culturais).

Pelo significado e pela força transformadora desse gesto, convém criar espaço que permita a locomoção das pessoas para se saudarem, bem como deixar o tempo suficiente para essa ação.

Uma música pertinente ajuda a sensibilizar para esse gesto.

O Gesto da paz pode ter lugar em outros momentos do culto. Pode ser incluído na Liturgia de Entrada, logo após o anúncio do perdão, ou mesmo antes do Preparo da mesa e do Ofertório.

Fração
A Fração é momento para destacar os gestos marcantes de Jesus na sua última Ceia. Ao tomar o pão, o mesmo é fracionado, repartido. No caso do cálice, o momento da Fração pode servir para nele derramar o líquido da jarra. A força dos gestos contribui para apontar aquilo que de fato cria a comunhão que une e que move a comunidade cristã: o que Cristo fez por nós: ele se doou, inteira e plenamente, e selou a unidade cristã ao dar de beber no cálice comum.

Durante a Fração, os elementos pão e cálice são elevados, no sentido de serem apresentados à comunidade.

As palavras que acompanham o gesto da elevação são de 1Co 10.16: “O cálice da bênção pelo qual damos graças é a comunhão do sangue de Cristo; o pão que partimos é a comunhão do corpo de Cristo”.

Para combinar com os relatos da Narrativa da Instituição, a seqüência desse trecho bíblico pode ser invertida, desta maneira: “O pão que partimos é a comunhão do corpo de Cristo; o cálice da bênção pelo qual damos graças é a comunhão do sangue de Cristo”.

A comunidade confirma sua unidade em Cristo, apesar da sua diversidade, com as palavras de 1Co 10.17, expressas em seguida: “Nós, embora muitos, somos um
só corpo”

Cordeiro de Deus Agnus Dei.
Para Lutero, este hino “se presta de modo excelente para o sacramento, porque canta e louva expressamente a Cristo por ter carregado nosso pecado, e com palavras belas e sucintas promove a memória de Cristo de forma vigorosa e muito linda”.

Este hino é como uma confissão de fé da comunidade, por meio da qual reconhece, como João Batista, que Jesus é o Cordeiro de Deus, o Enviado.

O hino é cantado logo após a Fração, ou logo após o convite para a Comunhão.

Enquanto canta, a comunidade pode se deslocar para o ato da Comunhão.

Comunhão
Na Comunhão, a comunidade experimenta o que ela ouviu e expressou anteriormente: Cristo está realmente ali, no pão e no cálice da comunhão e, através deles, a diversidade comunitária torna-se um só corpo.

Por isso mesmo, cabe encontrar e realizar formas de Comunhão que expressem e reforcem o significado desta palavra. Devem ser evitadas formas que dão margem ao individualismo, à exclusão, à solução rápida e simplista, como podem indicar o uso dos copos de cafezinho e a fila, por exemplo.

É oportuno criar e estimular para atitudes que sublinhem gestualmente a Comunhão celebrada. Por exemplo, há que se recuperar gestos de reverência quando as pessoas se aproximam e quando saem da mesa. Após a Comunhão, de preferência posicionadas em círculo, ao redor da mesa, as pessoas podem ser convidadas a da rem-se as mãos para serem despedidas. Depois, antes
de sentar-se, cada qual pode fazer sua oração silenciosa.

Textos breves, música ou o silêncio meditativo podem acompanhar a Comunhão.

Hinos, música
Música, cânticos, hinos, coros – pertinentes - têm lugar durante a Comunhão.

São apropriados hinos litúrgicos de comunhão, pequenos refrãos, repetidos, com intervalos que possibilitam ouvir a música instrumental.

O silêncio também pode ser elemento apropriado, especialmente quando a celebração reúne uma comunidade menor.

Após a Comunhão pode ser cantado um hino de gratidão.

Oração pós-comunhão
De fato, a Oração eucarística é a oração de mesa. Nela é articulado o significado da Ceia e se dá graças a Deus, efusivamente. Ainda assim, pode ser formulada a Oração pós-comunhão para agradecer pelo que foi recebido e experimentado na Ceia, com vistas ao testemunho que inicia com o Envio para servir ao Senhor.
 

Fonte: Livro de Culto da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
- Portal Luteranos
 


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