Quantas viagens fez Jesus ao exterior?

Por que o Evangelho de Marcos registra essas viagens de Jesus? Que lugares Jesus visitou? O que ele fez nesses lugares?

06/09/2018


Marcos 7.24-37
Estimada Comunidade aqui reunida,
Estimados Rádio-ouvintes da rádioweb Luteranos-UAI:

Jesus certa vez disse que ele foi mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel (Mt 15.24). No entanto, o Evangelho de Marcos registra pelo menos 4 viagens de Jesus ao exterior. Por que o Evangelho de Marcos registra essas viagens de Jesus? Que lugares Jesus visitou? O que ele fez nesses lugares?

O fato de Jesus ter viajado ao estrangeiro tem um significado especial. Mostra o interesse de Jesus também pelos estrangeiros e não somente pelos judeus. O Evangelho de Marcos foi escrito para as Comunidades não judaicas. Por isso, o Evangelho de Marcos narra essas saídas de Jesus de Israel, deixando claro que Jesus não veio somente para os judeus, mas também para os estrangeiros.

A primeira viagem de Jesus para o exterior, ele convida os seus discípulos a entrar no barco e atravessar o lago de Genesaré: Naquele dia, de tardezinha, Jesus disse aos seus discípulos: Vamos para o outro lado do lago (Mc 4.35). A outra margem do lago era terra estrangeira, era um lugar perigoso, cheia de gente considerada perigosa e impura, um lugar que um judeu religioso jamais colocaria os pés. Os discípulos de Jesus sabiam disso, mas não puderam dizer que não a Jesus.

A viagem de barco já começou mal. Alguns minutos de navegação e começou uma tormenta terrível, que quase afundou o barco. O pânico se apoderou dos discípulos. Jesus ia com eles, mas estava dormindo no barco. Ao ser acordado pelo desespero e pelos gritos dos discípulos, Jesus se levanta e acalma a tempestade. Desta maneira Jesus lhes mostrou que quando Ele está presente não há nada que temer. Assim que chegaram no outro lado do lago, desembarcaram num lugar chamado Gerasa. No mesmo instante um homem endemoniado veio correndo ao encontro deles. Era um homem violento, que morava num cemitério, ele tinha uma força extraordinária, ele era capaz de arrebentar correntes de ferro. Esse homem veio correndo em direção dos discípulos, e quando chegou perto deles, ele caiu de joelhos diante de Jesus e depois de um breve diálogo, Jesus o curou. Ao ver que estava curado de seu mal, o ex-endemoniado queria ficar com Jesus, mas Jesus lhe ordenou que voltasse para sua casa e contasse aos seus parentes e amigos o que lhe aconteceu. Esse ex-endemoniado tornou-se um pregador de Jesus.

Na segunda viagem ao exterior, Jesus ordenou novamente aos discípulos que embarcassem no barco e fossem na frente até a cidade de Betsaida, que ficava no outro lado do lago, portanto, em terra estrangeira. Enquanto atravessavam o lago, já no meio da noite o vento foi ficando cada vez mais forte. O barco era jogado de um lado para o outro. Jesus não estava com eles dessa vez. Os discípulos se assustaram tanto que começaram a gritar de desespero. Jesus então se aproxima deles no meio da escuridão, caminhando sobre as águas. Mas isso deixa os discípulos ainda mais apavorados, pois eles achavam que se tratava de um fantasma. No entanto, assim que Jesus subiu no barco, o vento se acalmou. O medo fez com que os discípulos perdessem a direção do barco e por isso eles não chegaram aos seu destino. A viagem tinha sido um fracasso. O medo havia paralisado os discípulos, de forma que eles resolveram atracar no primeiro lugar que encontraram. Com essa segunda viagem o Evangelho de Marcos quer mostrar que a evangelização aos pagãos, sem Jesus - isso é – sem os métodos de Jesus, sem a visão de mundo de Jesus, sem a sensiblidade de Jesus, ou seja, uma evangelização sem o modelo de Jesus estava condenada ao fracasso.

E agora vem a terceira viagem de Jesus. Dessa vez, nada de barcos. Jesus e seus discípulos vão por terra mesmo. Depois de caminhar vários km, a sua primeira parada é a cidade de Tiro, que fica a uns 60km de Cafarnaum. Jesus não queria que ninguém soubesse que ele estava aí. Mas, de improviso, uma mulher fenícia que tinha sua filha doente se aproximou suplicando a Jesus que curasse a sua filhinha. Jesus se negou, dizendo que ele foi mandado somente para os judeus, não para os estrangeiros. Mas a mulher insistiu dizendo que o pão de Deus é abundante e certamente dá para alimentar a todas as pessoas – inclusive aos estrangeiros. Ao escutar essas palavras, Jesus aceitou curar a menina. E com esse milagre, o Evangelho de Marcos quer mostrar que existe muita fé em Deus também entre os estrangeiros.

Essa história nos revela a atitude da igreja primitiva em relação aos estrangeiros. Jesus e seus discípulos chegaram a Tiro de maneira velada, sem que ninguém soubesse. Isso revela a cautela dos judeus-cristãos em relação aos estrangeiros. A súplica da mulher pela cura de sua filha demonstra a necessidade dos estrangeiros de receber o Evangelho. Jesus inicialmente se nega e expressa seus argumentos para limitar sua ação somente aos judeus. A mulher - no entanto - convence a Jesus que o Evangelho – o amor de Deus - dá para todos. A cura da menina por Jesus comprova que a mulher estava certa. Com essa história, o Evangelho de Marcos demonstra que a evangelização dos estrangeiros não foi algo planificado pelos discípulos de Jesus, mas as coisas foram acontecendo de forma inesperada e terminaram rompendo barreiras e preconceitos que separavam os judeus dos pagãos.

Depois desse acontecimento em Tiro, Jesus e seus discípulos continuam a viagem e chegam a região das Dez Cidades (Decápolis). Ali algumas pessoas trazem para Jesus um surdo-mudo. Esse homem simbolizava de maneira perfeita a situação em que se encontravam os estrangeiros naquele tempo: pessoas que não podiam escutar a Deus e nem podiam falar com Deus. Jesus tocou nos ouvidos do doente, colocou saliva na sua língua e o curou. Os amigos do surdo-mudo ao ver esse prodígio ficaram admirados e – mesmo que Jesus tivesse pedido silêncio sobre esse acontecimento – aqueles amigos do surdo-mudo saíram contando essa boa noticia a todas as pessoas que encontravam. Com essa atitude, Jesus vai abrindo o terreno para a evangelização dos gentios. Na primeira viagem, um ex-endemoniado de Gerasa contava as pessoas o que Deus havia feito com ele. Agora, além do ex-surdo-mudo, também todos os seus amigos dão testemunho que Jesus abre os ouvidos das pessoas para escutar a Deus e que Jesus dá as palavras certas para poder responder a Deus.

Mas essa viagem ainda não terminou. Depois que Jesus curou o surdo-mudo, uma multidão se aproximou dele. No final da tarde a multidão estava faminta. Mas os discípulos somente tinham sete pães. Jesus então mandou que as pessoas se sentassem em grupos, deu graças a Deus e mandou que seus discípulos distribuíssem aqueles sete pães. Naquela tarde umas 4 mil pessoas comeram pão e ainda sobraram sete cestos cheios.

Jesus já havia realizado o milagre da multiplicação dos pães e peixes anteriormente com os judeus. Agora Jesus repete esse milagre em terra estrangeira. Com esse milagre o Evangelho de Marcos fala da Santa Ceia. Não somente os judeus estavam convidados para a Santa Ceia. Também os estrangeiros – as pessoas de fora - estão convidados a participar da comunhão com Jesus.

Portanto, essa terceira viagem de Jesus tem uma importância muito especial para o Evangelho de Marcos. Enquanto os líderes judeus desprezavam e olhavam com desprezo os estrangeiros, Jesus vai ao encontro deles e demonstra que os estrangeiros não merecem somente a saúde (como no caso da filha da mulher fenícia), mas também a Palavra divina (como no caso do surdo-mudo) e também a Santa Ceia, como comida da salvação.

Na quarta viagem, Jesus e seus discipulos viajam outra vez de barco (Mc 8.13ss). Mas agora não tem tormenta, nem ventos contrários. Desta vez o perigo está dentro do barco. Os discípulos estão de cara amarrada. Eles demonstram a Jesus que estão fazendo algo contra a sua vontade. Jesus percebe a situação e diz: Tomem cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes (Mc 8.15). O fermento dos fariseus era a mentalidade fechada, opressiva, apegada a Lei judaica, própria dos grupos conservadores. O fermento de Herodes era a mentalidade autoritária, opressora, dominadora própria dos dirigentes politicos daquela época. Se esses fermentos, se essas mentalidades se infiltram no barco de Jesus (na igreja), então elas podem destruir as bênçãos - os milagres - de Deus.

Vejam que coisa interessante: Jesus mais uma vez nos convidando a romper fronteiras e preconceitos. E o que significa isso para a nossa maneira de ser igreja hoje? Será que nossas comunidades continuam sendo essa igreja de Jesus que é acolhedora, que é inclusiva e que vai ao encontro dos excluídos? Pessoalmente, como cada um de nós trata a pessoa que é diferente, que vem de outra cultura? Sabemos ser pessoas acolhedoras ou preferimos julgar e discriminar quem é diferente de nós?

Desta forma, a Palavra de Deus ainda hoje nos chama para um constante auto-exame de nossas atitudes e nossos valores como pessoas cristãs e também como comunidades cristãs. Como estamos nós diante do desafio que Jesus nos propõem hoje?

Amém.
 


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Belo Horizonte (MG)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Área: Comunicação / Nível: Comunicação - Programas de Rádio
Testamento: Novo / Livro: Marcos / Capitulo: 7 / Versículo Inicial: 24 / Versículo Final: 37
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 48725
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Salmo 100.2
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