O que aprendemos da Páscoa?

Marcos 16.1-8

27/03/2018

O que aprendemos da Páscoa?

Veja este recurso completo em Proclamar Libertação vol. 42

Uma pessoa da comunidade me disse que as celebrações da Semana Santa e da Páscoa apenas confirmam a convicção de que a vida não é justa. Jesus era uma pessoa jovem, estava na plenitude de suas forças. Ele passou sua vida fazendo o bem, curando os doentes, abraçando os leprosos, reunindo-se com pecadores, com as pessoas marginalizadas da sociedade. Ele se encontrou até mesmo com os corruptos daquele tempo, com a intenção de convencê-los a mudar de vida. Jesus foi um homem bom, que tinha dedicado sua vida a Deus e a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Foi capaz de simplificar todas as leis religiosas em um só mandamento: amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. Como foi possível prender, condenar e executar alguém assim? As pessoas poderosas daquele tempo, condenaram a Jesus por ser uma pessoa perigosa. Que crime ele cometeu? A vida não é justa.

Muitas pessoas também hoje se perguntam: Por que isso está acontecendo comigo? Por que tenho que sofrer essa doença? Porque Deus permite que tanta gente esteja sofrendo?

Na maioria das vezes não encontramos resposta. Muitas vezes, apenas podemos abraçar e concordar que a vida não é justa e se o sofrimento caiu sobre Jesus – e ele acabou morrendo de uma maneira brutal e injusta – então qualquer pessoa está sujeito a sofrer injustiças. Por isso, muitas vezes devemos aceitar as coisas como Deus manda.

Mas será que é essa a atitude que Jesus espera de nós, como seus seguidores? Uma atitude passiva? Uma atitude conformista? Uma atitude fatalista? 
Se olhamos para a vida de Jesus, vamos perceber que ele lutava todos os dias contra os sinais de morte. Ele curou leprosos, cegos, paralíticos, alimentou uma multidão de famintos, andou por cima das águas, defendeu os estrangeiros e até mesmo ressuscitou mortos. Diante do sofrimento – Jesus se empenhava por sinais de vida, de superação do sofrimento. Lutar por sinais de vida, isso também é necessário para alimentar a nossa fé. A aprendizagem na fé não ocorre somente de forma abstrata e intelectual, mas precisa integrar elementos palpáveis, momentos vivenciais e situações concretas.

Aquele senhor no início dessa prédica dizia que a vida não era justa porque condenou a Jesus que só fazia o bem. No entanto, Jesus não veio para esse mundo para nos mostrar como se vive bem. Ele veio para nos mostrar que atitudes Deus espera de cada um de nós para enfrentar essa vida injusta. Quem confia em Deus não se conforma com as injustiças dessa vida. Ele não se conforma com a presença constante dos sinais de morte.

A mensagem e a ressurreição de Jesus nos dizem que a fé cristã não se conforma com a morte. Jesus mostrou que Deus não quer nos deixar largados ao azar dessa vida. Jesus curou doentes, libertou pessoas atormentadas. Sua mensagem trouxe conforto e consolo para muitos. Não foi o conformismo que curou o paralítico, o leproso, o cego Bartimeu, a filha de Jairo, a mulher que sofria 12 anos com um hemorragia. Elas encontraram ajuda em Jesus porque lutavam contra a sua situação, não se conformaram, não se resignaram. 

Os sinais de morte nesse mundo e o sofrimento que eles causam não são vontade de Deus. Deus não se alegra com o sofrimento de ninguém. A existência dos sinais de morte denunciam as injustiças nesse mundo e a falta de solidariedade entre nós. A maior parte do sofrimento humano e da natureza pode ser transformada. E naquelas situações onde não podemos fazer mais nada, ali ainda podemos ser solidários e não deixar que a pessoa sofra sozinha.
Mensagens que pregam o conformismo não vem do Evangelho. A fé em Deus não pede resignação ao sofrimento humano. A fé cristã deve afrontar o sofrimento, deve superá-lo. Quem tem fé, luta, busca forças em Deus para resistir . E quando já não pudermos lutar porque a morte física parece ter-nos derrotado, então podemos confiar que Deus mesmo lutará contra a morte por nós.

Uma senhora lá no Equador, passou vários anos acamada. Nos seus últimos momentos de vida, ela me pediu que na cerimônia de sepultamento eu colocasse uma colher de sobremesa nas suas mãos. Eu perguntei a ela qual era o sentido disso e ela me disse o seguinte: Quando eu participava de um almoço ou jantar, depois que os pratos eram retirados da mesa, ainda ficava a colher de sobremesa. A colher de sobremesa era o sinal de que algo bom ainda estava por vir. Desta forma, minha fé em Deus me diz que – apesar de ter lutado nessa vida pela paz com justiça – agora que chegou a minha morte física, eu sei que algo bom ainda está por vir.

É por isso que a fé em Deus é tão importante na nossa vida. A vida por si só não é justa, mas a fé em Deus nos fortalece para lutar por uma vida digna. Quem confia em Deus vai encontrar na fé em Deus fortaleza para resistir e lutar contra as fatalidades da vida. A vida e a ressurreição de Jesus nos mostram o enorme poder de Deus que não nos desamparará.

Só entende a ressurreição quem a recebe como um milagre de Deus. Quem confia em Deus no meio das tempestades da vida entenderá essas palavras: Não tenha medo, pois eu te salvarei, eu o chamei pelo seu nome e você é meu. Quando passares pelas águas profundas, eu estarei do seu lado e você não se afogará. Quando passares pelo meio do fogo, as chamas não te queimarão (Is 43.1-2). E Jesus que promete : Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos (Mt 28.20)

A ressureição é um protesto de Deus contra os sinais de morte e contra a própria morte em si. O Deus Criador e Doador da vida nos faz ver – pela fé em Jesus Cristo - os espaços de esperança que ele mesmo abre e vão além de nosso campo de visão e de nossas forças. Assim como Deus não se deixou vencer por aqueles que decretaram a morte de Jesus Cristo na cruz, assim ele não quer que nenhum de seus filhos e filhas se deixe vencer pelos sinais de morte. Você duvida? Pois confia em Deus, luta contra os sinais de morte ao teu redor, e verás. Amém.

Recursos litúrgicos:

Preparação para confissão de pecados:
“A grande culpa do ser humano não são os pecados que ele comete. A tentação é poderosa e sua resistência é pequena. A grande culpa do ser humano consiste em poder se arrepender a qualquer instante – e não o faz”. (Rabí Bunam)

Oremos: Misericordioso Deus, que nos perdoas e sempre nos dás uma nova oportunidade de vivermos como teus filhos e filhas, para nós é difícil perdoar uma vez, muito mais setenta vezes sete. Mas, sabemos que a falta de perdão quebra a comunhão entre nós, enfraquece nossa fé em ti e começamos a carregar intrigas, desgostos, rancor, ofensas e a guardar ressentimentos. Isso nos faz muito mal. Ajuda-nos Senhor, no esforço para perdoar e assim poderemos outra vez ter paz em nosso coração. Em nome de Jesus, Amém. 
Pelas dores deste mundo....
Anúncio da graça de Deus:
Aquele que atravessa portas trancadas quando traz paz
Aquele que se coloca diante dos olhos das pessoas que duvidam e dissipa todo medo. Ele quer aproximar-se também de ti.
Que Deus nos torne audazes na fé, puros no amor e inflame nossos corações e línguas para despertar a Comunidade. E ainda que nossos olhos não possam perscrutar seu plano, tenhamos confiança que Ele nos levará das trevas à luz, arrebentará trancas e fechaduras (Friedrich Spitta). Assim Deus alivia e fortalecerá o teu coração. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Que isso nos leve a cantar alegremente Aleluya.

Oração de intercessão:
Preparação: Na hora do temporal, quando falta energia elétrica, uma pequena vela é suficiente para nos orientar. Deus quer nos orientar também nos temporais da vida.

(Ter um local preparado com tijolos, por exemplo, e convidar as pessoas da comunidade reunida para acender uma pequena vela (tea light) pedindo que a luz de Deus brilhe sobre uma pessoa querida que atravessa um momento difícil em sua vida, para que ela não perca a fé e as forças para continuar lutando. Durante esse momento espontâneo pode-se cantar suavemente a canção Cuida bem, Senhor do grupo Anima da EST)

Oremos:
Senhor, ajuda-nos a silenciar. As agitações do dia confundem os nossos pensamentos. Imagens nos afligem; notícias e discussões dispersam as nossas forças.
Que a tua paz venha sobre nós como a sombra das nuvens em um dia de forte calor. Que vejamos chegar a tua justiça como um nevoeiro que aparece por cima da serra, e que aos poucos vai se tornando mais denso, até que a chuva cai suavemente sobre a terra e faz brotar um perfume da terra agradecida.
Que a dignidade dos humildes não seja vendida nos mercados. Que os meninos e as meninas adolescentes não tenham que se vender nas ruas. Que nada seja mais sagrado do que teu tempo sagrado: as pessoas.
Que não haja um só rincão de nossa pátria (continente latino-americano) que não receba a atenção e os serviços merecidos. Que nossa maior glória seja a dignidade dos mais pobres e a tranquilidade dos desamparados.
Resgata-nos, Senhor, do inferno de todas as violências: da guerra, das ditaduras, da impunidade, da corrupção, das dívidas e dos ajustes, dos governos impopulares e da riqueza depredatória sem medida.
Que as riquezas que tu nos presenteaste sejam retiradas da mãe terra sem forçá-la, para que também nossos netos e netas possam um dia desfrutá-las.

Pai nosso....
Bênção:

Que Deus te dê
para cada tempestade um arco-iris
para cada lágrima um sorriso
para cada provação uma bênção.
Que para cada problema, Deus te traga alguém fiel que te faça olhar para o amor de Deus e assim fortaleça a tua fé e a necessidade de continuar a tua luta. Que Deus te faça ver uma resposta para cada oração.
Assim te abençoe Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

 


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Belo Horizonte (MG)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Área: Celebração / Nível: Celebração - Ano Eclesiástico / Subnível: Celebração - Ano Eclesiástico - Ciclo da Páscoa
Natureza do Domingo: Páscoa
Perfil do Domingo: Domingo da Páscoa
Testamento: Novo / Livro: Marcos / Capitulo: 16 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 8
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 46564
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